(...)Chorando, nem tanto pelo perigo que poderia passar, mas pelo tratamento que estava tendo, me apressei em sair do lugar. Desci a ladeira correndo, enquanto em algumas partes do morro já se podia ouvir os tiros. E não eram poucos. Aquela era a quarta ou quinta vez que ele me mandava descer, naquelas circunstâncias. Já estava cansada de tantos riscos, apesar de em certos momentos, gostar.
- Blenda! Blenda! – gritava desesperadamente.
- Blenda não está. O que quer com ela? – perguntou sua mãe.
- Dona Clotilde posso entrar, por favor? – respondi apavorada.
Abri o portão de madeira de caixotes e entrei o mais rápido que pude. Dona Clotilde, vendo meu desespero, tratou de me oferecer um copo com água que aceitei prontamente. Contei para ela o que estava acontecendo e, com a experiência que tinha, de tanto tempo de favela, procurou me acalmar, sem se importar com os tiros que se ouvia em todas as partes do morro. Parecia uma guerra.
- Posso ficar por aqui, até essa situação terminar? – perguntei chorando muito.
- Não tem onde você ficar, filha. O namorado da Blenda está aqui, dormindo no mesmo quarto dela. – respondeu.
- Que ótimo! – exclamei, deixando-a de olhos esbugalhados.
- Que disse, menina? – perguntou sem entender o motivo de tanta alegria.
- É que estava preocupada com sua situação. Não tinha notícias dele, faz tempo, e fiquei satisfeita(...).
Enquanto isso, as Pessoas NAO se Assumem!
Há 14 anos

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