segunda-feira, 2 de junho de 2008

PARTE I

Meu nome é Carolina. Carol, como sou conhecida. Tenho vinte e sete anos e cinco filhos, sendo quatro meninos e uma menina. Nasci de uma negra com um italiano e herdei alguns traços do meu pai tais como: cabelos bons, altura, nariz afilado e lábios finos. Por possuir uma genética excelente, apesar da enorme família, continuo mantendo um corpo perfeito, com direito a cintura, pele bonita e um aspecto de adolescente, bom de um lado e ruim do outro já que não consigo, apesar da força de vontade, ser adulta em determinadas ocasiões importantes do meu dia a dia. Felizmente, essas características ajudaram-me na minha sobrevivência, pois tive uma vida muito difícil, desde que meus pais se separaram e minha mãe passou a cuidar sozinha dos meus quatro irmãos. Fui catadora de lixo; forçada a cheirar cola; pedi esmolas; estuprada antes dos nove anos; aos nove morei com um bandido; tive filhos; freqüentei e ainda freqüento bailes funk; e, hoje, aos vinte e sete anos, apesar de tudo, me sinto mais feliz. Considerando o que vivi e o que estou vivendo, posso dizer que habito no céu! Se houve ajuda de alguém, posso garantir que foi da minha mãe que desde do momento em que trocou sua vida pela minha me deixando naquele berçário, não significou ter me abandonado definitivamente e com certeza, de onde se encontrava guiou-me tirando-me das drogas e evitando que viesse a me prostituir. Se fui estuprada aos 8 anos de idade, e vivi nas ruas e se nunca estudei, a culpa foi de um sistema que fecha os olhos para os que vivem excluídos e que só são vistos quando dão algum retorno financeiro. Indiretamente, como é o caso da educação controlada e da saúde, poucos se importam...

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