quarta-feira, 11 de junho de 2008

PARTE V - Os Pesadelos

(...)Ficamos conversando e, vez em quando insistia em me levar para morar com ela. Naquela mesma noite, enquanto dormia numa calçada da Candelária, umas pessoas me pegaram pelos braços e me enfiaram dentro de um carro enorme e me levaram dali. No começo, pensei que fosse o pessoal da FEBEM, mas não vi ninguém falando nada sobre tirar o pessoal da rua, que era o comentário que a gente ouvia a todo instante. Chorei, esperneei, mais de nada adiantou. Não demorou muito e pararam, quando alguns carros da polícia os interceptaram. De repente, ouvi tiros e comecei a gritar enquanto um dos homens que me segurava caia sobre o meu frágil colo. Estava morto! Uma bala o atingira no pescoço e o ferira mortalmente. Os tiros continuaram e eu gritava desesperadamente. Fora do carro, correria e gritos de homens fardados, como os que eu via passando nas ruas por onde eu perambulava. Um deles ao me ver, gritou:
- Tem uma criança aqui! – disse o sargento.
- Meus Deus! Esta sangrando e esse cara aí, no seu colo, verifiquem! – determinou o militar, enquanto me puxava para fora do carro, com a ajuda dos demais colegas.
Sem dar uma palavra e chorando copiosamente, o sargento me pegou no colo e me tirou dali de perto, enquanto tentava me consolar. Naquela noite, mais do que nunca, rezei para que mamãe viesse me visitar. No curto período em que estive nas ruas, desde de que deixara a casa de adoção, aquela era a primeira cena dramática que vivia. Certamente, não seria a primeira nem a última e sim, uma dose da bebida amarga da vida que eu iniciava.
- Quem é a menina? – perguntou um outro policial.
- Não quer falar. Ainda está sob o trauma da cena. – disse.
- Ela está ferida? – perguntou o sargento.
- Não. O sangue encontrado é do elemento que a segurava – respondeu o soldado.
- Leve-a daqui. Encaminhe-a para o Comando e lá tomaremos as providências.
Dessa vez, ajudado por um soldado, subi na viatura e fomos direto para o local determinado pelo sargento. Já passava das três da madrugada quando, sem conseguir mais manter meus olhos abertos adormeci(...)

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