sábado, 14 de junho de 2008

PARTE VII - A Visita

(...)O sol havia se escondido por trás das paredes do orfanato e a noite começou a cair rapidamente. Um vento frio começou a soprar cada vez mais forte. Parecia que ia haver mudança de tempo. Apesar do mês de julho ser mesmo bastante friento, aquele estava sendo bem ameno. Mesmo assim começara a mudar. O jantar foi servido e em seguida fomos para a cama. Esperei todos dormirem e, nas pontas dos pés, deixei o alojamento e fui me sentar numa velha cadeira na varanda. Eu não tinha medo de ficar ali, como antes. Na verdade, esperava que minha mãe fosse me visitar naquela noite, era o que me incomodava e me deixava ansiosa. As estrelas tinham sumido e a lua nem sinal dela. O pátio que dava acesso à saída do orfanato era longo e cheio de árvores feias com seus galhos sem folhagem que mais pareciam estar morrendo. Durante o dia até que não era tão sinistro, mas à noite, apesar de não ter medo, dava uns arrepios esquisitos. Sem que ninguém me observasse, fui até às imediações do portão e observei que não era difícil me evadir, caso quisesse. Olhei bem e senti uma força querendo que fugisse naquele momento. De repente, tive a sensação de que estava sendo observada e resolvi voltar e ir para meu beliche. Fiz isso três ou quatro vezes durante aquela semana. No domingo, enquanto algumas pessoas visitavam o orfanato, vi que havia um senhor branco, baixinho e quase careca, que usava um bigodinho falhado e que falava muito esquisito, me aproximei e logo uma senhora escura também se aproximou de nós...
- Zé! Não seria ela? – disse olhando-me com certo espanto.
- Será? – respondeu com sotaque.
- Como se chama minha filha? – perguntou-me a velha senhora.
- Carolina. Mas pode me chamar de Pretinha – respondi.
- Até o apelido se parece com o dela – disse olhando-o enquanto se referia ao nome da minha mãe.
- Não é que é mesmo! – respondeu sorrindo.
- Quantos aninhos você tem, filha? – perguntou ele.
- Oito – respondi, deixando-o ainda mais intrigado.
- É exatamente o número de anos que a deixamos aqui, dona Filomena. Não é? – indagou.
- E não é, seu Zé! – confirmou a velha senhora, com cara de espanto.
Enquanto conversavam, como se fosse um código, fiquei ali por perto, sem nada entender das suas intenções. Alguns minutos mais tarde, a diretora se aproximou e me apresentou os dois que ficaram ali toda tarde me contando sobre a minha mãe, enquanto eu me derretia em lágrimas(...).

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